Em todo país, a juventude parte pra cima do REUNI
A histórica ocupação da Reitoria da USP contra os decretos do governo Serra provaram que é possível lutar contra a destruição da universidade pública no país. Os estudantes daquela universidade deram uma boa demonstração que começa a haver uma virada na consciência e na atitude da juventude.
Agora, está na ordem do dia a luta contra o decreto de Lula que institui o REUNI (Projeto de Apoio a Planos de Reestruturação das universidades federais). Em realidade, O REUNI é a nova faceta da reforma universitária que, desde de 2004, já se chamou projeto de lei orgânica do Ensino Superior, Lei 7200/06, etc. Como sabemos, a reforma universitária foi imposta através de fatias. Primeiro foi o ProUni, a lei de inovação tecnólogica, o decreto das fundações privadas, O SINAES/Enade e as Parcerias Público Privado (não necessariamente nessa ordem).
A fatia apresentada em 2007 foi a Universidade Nova (UniNova), elaborada na Reitoria da Universidade Federal da Bahia. Onde esse projeto foi apresentando os estudantes o rechaçaram. Uma jogada de marketing mudou o nome do UniNova para Reuni. A essência do projeto é mesma. Aumentar a relação aluno/professor para 18/1; aumentar os índices de conclusão do curso para 90% (e para chegar nesses níveis irá ser lançado mão da aprovação automática, como no ensino básico); Criar salas de aulas com até 125 alunos em turmas presenciais e 250 em turmas de ensino à distância; Aumentar em 50% o número de alunos e não fazer concurso público que atenda a essa nova demanda, conforme reza a cartilha do PAC que proíbe o aumento de gasto com folha de pagamento do funcionalismo público pelos próximos 10 anos.
Como se isso não bastasse, o Reuni transforma a universidade federal em um escolão doador de diploma de "nível superior". O Reuni cria o Bacharelado Interdisciplinar (no caso da UFRN, o Bacharelado em Ciência e Tecnologia). Curso de curta duração e que permite ao aluno que "não se preocupe com uma especialização precoce". O objetivo do Reuni é formar muitos "bacharéis sem especialização para que se tornem mão-de-obra barata e qualificada e assim as multinacionais instaladas no Brasil e ao redor do mundo deixem de ameaçar trocá-lo pela China (onde a mão de obra custa 1/3 da do Brasil e a qualificação é equivalente - a China forma cerca de 60 mil engenheiros por ano). Quem desejar se especializar deverá enfrentar uma nova seleção, ultra excludente, onde só os mais talentosos poderão continuar os seus estudos em nível de graduação e pós-graduação.
Essa é a verdadeira face do Reuni.
Por isso, todos à luta.
O Reuni não passará!
24 de outubro de 2007
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