Drag Me To Hell
(Arraste-me para o Inferno)
(Arraste-me para o Inferno)
Uma crítica sútil à crise do mercado imobiliário sub-prime norte-americano, iniciada em 2006.
(Atualizado em 25 de agosto, às 9h55min)
Semana passada, estreou o novo filme do diretor Sam Raimi (Homem-Aranha 1, 2 e 3): Drag Me To Hell (Arraste-me para o Inferno.) Como o próprio diretor disse, trata-se de uma volta ao gênero de terror, que foi sua escola primária: "'Arraste-me para o inferno' me trouxe de volta ao terror. E o terror é meu jardim-de-infância. Nele, eu posso criar todo um universo a partir de uma base fantástica", disse a'O Globo'.
E essa base fantástica serviu para atingir diretamente um tema que hierarquiza toda a realidade: a crise econômica mundial. Para além da discussão do gênero e da técnica empreendida no longa-metragem, não pude deixar de notar uma sensacional - apesar de sútil - crítica à crise imobiliária sub-prime que assolou a economia norte-americana iniciada no fim de 2006. A história da corretora financeira Christine Brown é uma ficção que visivelmente tenta imitar a realidade recente. Ela é uma profissional com uma carreira em ascensão, que pleiteia uma promoção para a vaga de gerente assistente de uma instituição de crédito, especialista em crédito de alto risco (ou o famoso sub-prime, em inglês).
O problema é que, também na ficção escrita por Raimi, as instituições financeiras como a que Brown trabalha estão passando por sérias crises. Ela, para impressionar seu gerente, resolve tomar uma atitude socialmente drástica: negar o pedido de extensão de crédito para uma velha e misteriosa Sra. Ganush. O que fará a idosa perder sua casa para o banco em que Christine trabalha.
Essa senhora é retratada como uma velha cigana, obedecendo o preconceito que predomina na cultura norte-americana. Ou seja, para eles, o cliente sub-prime tanto poderia ser um cigano, quanto um mexicano, um chinês, um índio, um árabe ou... um brasileiro!
O centro mundial do capitalismo não considera que milhões de trabalhadores, como a sra. Ganush, pagaram por 20, 25 ou até 30 anos por uma moradia com o suor do seu trabalho árduo. Para os senhores do capital é muito mais simples pedir à justiça para tomar a casa dos trabalhadores, e assim manterem suas altas taxas de lucros, jogando a crise para as costas de milhões de senhoras e senhores Ganush.
E para ganhar a opinião pública mundial, a indústria do cinema faz a simples opção de representar as minorias e imigrantes como seres encantados que saem por aí lançando maldições contra os funcionários dos grandes bancos e corporações financeiras internacionais que "ousam" humilhá-los ao tomarem suas casas.
E essa base fantástica serviu para atingir diretamente um tema que hierarquiza toda a realidade: a crise econômica mundial. Para além da discussão do gênero e da técnica empreendida no longa-metragem, não pude deixar de notar uma sensacional - apesar de sútil - crítica à crise imobiliária sub-prime que assolou a economia norte-americana iniciada no fim de 2006. A história da corretora financeira Christine Brown é uma ficção que visivelmente tenta imitar a realidade recente. Ela é uma profissional com uma carreira em ascensão, que pleiteia uma promoção para a vaga de gerente assistente de uma instituição de crédito, especialista em crédito de alto risco (ou o famoso sub-prime, em inglês).
O problema é que, também na ficção escrita por Raimi, as instituições financeiras como a que Brown trabalha estão passando por sérias crises. Ela, para impressionar seu gerente, resolve tomar uma atitude socialmente drástica: negar o pedido de extensão de crédito para uma velha e misteriosa Sra. Ganush. O que fará a idosa perder sua casa para o banco em que Christine trabalha.
Essa senhora é retratada como uma velha cigana, obedecendo o preconceito que predomina na cultura norte-americana. Ou seja, para eles, o cliente sub-prime tanto poderia ser um cigano, quanto um mexicano, um chinês, um índio, um árabe ou... um brasileiro!
O centro mundial do capitalismo não considera que milhões de trabalhadores, como a sra. Ganush, pagaram por 20, 25 ou até 30 anos por uma moradia com o suor do seu trabalho árduo. Para os senhores do capital é muito mais simples pedir à justiça para tomar a casa dos trabalhadores, e assim manterem suas altas taxas de lucros, jogando a crise para as costas de milhões de senhoras e senhores Ganush.
E para ganhar a opinião pública mundial, a indústria do cinema faz a simples opção de representar as minorias e imigrantes como seres encantados que saem por aí lançando maldições contra os funcionários dos grandes bancos e corporações financeiras internacionais que "ousam" humilhá-los ao tomarem suas casas.

