19 de dezembro de 2007

Bilhetagem eletrônica: trabalhadores e juventude na mira dos empresários

Para localizar bem esse debate, antes de tudo, é preciso fazer uma breve discussão histórica. A época que vivemos, de decadência do capitalismo, é caracterizada por um processo brutal de destruição das forças produtivas: o homem (trabalho) e a natureza (matéria prima). Das três forças produtivas (matéria prima, trabalho e técnica), a única que permanece se desenvolvendo – ainda que de maneira parcial e limitada – é a tecnologia (técnica). Em primeiro lugar, o desenvolvimento da técnica é parcial porque a burguesia segue se apropriando de todo o domínio tecnológico (patentes, direitos autorais, etc...), impedindo, assim, que o conjunto da humanidade tenha acesso ao acúmulo de conhecimento técnico disponível no mundo. Em segundo lugar, como não há socialização do conhecimento tecnológico, este se torna limitado porque pouquíssimo são os seres humanos que podem dar uma contribuição ao desenvolvimento da técnica e, principalmente, usufruir dos benefícios diretamente ligados a eles: a diminuição do trabalho. Essa é a síntese da descrição do modo de produção da sociedade humana atual: temos um modo de produção contraditório porque o desenvolvimento da técnica não libera a o trabalho nem poupa a natureza, senão o contrário.

O Natal Card alardeado pelo Sindicato patronal (SETURN) é o desenvolvimento das formas de arrecadação, exploração e extorsão dos trabalhadores e da juventude. Esse é o significado central desse modelo e, por isso, não podemos fugir a esse debate. É o desenvolvimento da tecnologia a serviço do enriquecimento de uma casta parasitária. O que queremos dizer é que os que defendemos os interesses da classe trabalhadora, não somos “por princípio” contra o desenvolvimento e aprimoramento da técnica. Somos radicalmente contra o seu uso para elevar a exploração das massas trabalhadoras e da juventude a níveis ainda mais insuportáveis. Defenderíamos os trabalhadores rodoviários se esses resolvessem se mobilizar para ocupar e administrar as empresas, se através dessa mobilização expropriassem seus antigos patrões sem lhes pagar nenhuma indenização. E defenderíamos esses mesmos trabalhadores se, então, impusessem um sistema eletrônico como maneira para diminuir o trabalho (por exemplo, os antigos cobradores poderiam dirigir os ônibus, e, assim, todos trabalhariam por uma jornada de cerca de quatro horas) e para garantir os direitos dos demais trabalhadores e da juventude (redução das tarifas, passe livre para a juventude, idosos, desempregados – para que estes procurem trabalho). Isso para tratar da essência da questão.

Porque além de tudo isso que dizemos acima, existem também os ataques pontuais aos direitos dos trabalhadores e da juventude. O desemprego é o primeiro deles: centenas de cobradores, a exemplo do que ocorrer na empresa Trampolim, irão ficar sem trabalho. O controle do banco de dados de todos os usuários permitirá aos empresários arbitrar quem tem e em qual quantidade cada um terá direito a meia-passagem ou gratuidade. Em outras cidades onde foi implantado, o sistema eletrônico, permitiu ao empresariado cassar o direito dos estudantes em períodos como férias ou feriados nacionais. O aumento das tarifas, com a cobrança através da “carga embarcada”, um modelo de cobrança efetuado no momento do embarque do passageiro onde as empresas cobram um ágil pela “praticidade” do serviço.
Portanto, ser contra a aplicação da bilhetagem eletrônica (Natal Card), em primeiro lugar, é uma opção de classe. E é essa opção que irá orientar todo o nosso trabalho e todas as nossas ações no próximo período.

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