26 de abril de 2007

Em defesa do Socialismo e da Revolução!

Quase dezoito anos nos separam dos tremores que abalaram o mundo socialista. Em novembro de 1989, as ruínas do Muro de Berlim parece que caíram sobre as cabeças de militantes do mundo inteiro; uns perplexos e confusos, outros já céticos e pessimistas. O que vigorou à época e durante toda a década de 1990 foi uma brutal ofensiva ideológica do imperialismo que lotou páginas de livros, revistas, enciclopédias, jornais, quadrinhos, zines e tudo mais; na TV a overdose de propaganda pró-capitalista não foi menor. Afinal, o capitalismo havia vencido o socialismo, sua supremacia era indiscutível. O impacto sobre a esquerda mundial foi devastador, também entre os revolucionários (inclusive no seio do movimento trotskysta internacional) . Muita gente foi pra casa desiludida, muitos outros foram de armas e bagagens para o campo da Democracia burguesa. O socialismo passou a ser uma utopia a ser lembrada nos dias de festas dos partidos, e a revolução enquanto uma estratégia virou obra de antiquário.

No entanto, depois de enfrentarmos todos esses anos, de terrível ofensiva neoliberal, de vermos uma onda devastadora de privatizações correndo o mundo, e de horríveis tempestades guerreiras imperialistas; nos parece agora que, desde o início do novo século, o céu está se abrindo e alguns lampejos da reorganização e do ascenso do movimento de massas em âmbito global já começam a raiar entre nuvens.

É assim, pois o povo equatoriano e argentino inauguraram o século XXI com mobilizações revolucionárias que derrubaram os governos de plantão e desistabilizaram os regimes dos seus países. Houve um vazio de Poder e a questão dde quem deveria assumir o Poder ficou colocada na ordem do dia. No Equador, inclusive, a CONAIE tomou o poder por algumas horas e depois passou-o às mãos das forças armadas através do gen. Gutierréz, o qual meses depois retomaria a aplicação dos planos do FMI no país. Na Argentina, sob os auspícios de 2002, cinco presidentes são derrubados, mas a esquerda revolucionária argentina não tem a unidade suficiente para apontar para as massas a alternativa da ruptura revolucionária, e menos ainda, sequer existe um organismo nacional do movimento massas que se apresente como instrumento de poder dual.

A partir de 2003, tem lugar também na Bolívia uma crise revolucionária, onde as massas, dirigidas pelos mineiros de El Alto, derrubam el gringo Sanchez de Lozada e abrem também neste país um vazio de poder. A diferença qualitativa da situação boliviana é que neste país a sua classe operária, uma das mais experientes na luta de classes do nosso subcontinente, construiu a sua Central Obrera Boliviana - COB, um legítimo organismo de duplo poder. Na ocasião o Movimiento Socialista del Trabajadores - MST, seção boliviana da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI) defedeu a palavra-de-ordem: Todo poder a COB!

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