7 de julho de 2008

Imprevisível
Imprescindível
Indefectível
Irresistível

Devo começar definindo mesmo
Descrevendo o giro das palavras
Como numa gangorra, roda-gigante,
Uma tarde no shopping, uma escada rolante,
que desce, sobe, segue adiante
Que reconhece, esquece, relembra
E que não me lembra o teu verdadeiro nome.

Ininteligível
Intraduzível
Incompreensível
Intangível

Tudo roda tão depressa, que não consigo compreender mais nada
O que você fala eu não entendo, que língua é essa?
Quero te conhecer de novo, dessa vez sem pressa
Por que o play-center está agora tão escuro?
Entre eu e você, um labirinto soturno, um muro!
Fujo do futuro, luto e me perco sozinho numa estrada

Displicentemente, paro, encosto a cabeça na janela
e penso:
“Como alguém pode me contar que:
Ouviu meus sussurros por outros ouvidos,
Conheceu meus beijos por outra boca,
Meus abraços por outros braços,
Minha história por outra memória
Meu olhar por outros olhos...?”

É fim de tarde, hora de redescobrir o parque
Refazer todos os passos, catar cada pétala atirada
Cada palavra mal-amada, tropeçar na fila mal andada
Redesenhar o recomeço da primeira parte...

Agora tem luz sobre meus olhos, sei quem de fato você é
Ao invés de uma, você são duas, mil ou o que vier...
Não importa, não temo, não me escondo, não me ofereço
A jóia escondida no rincão do rio, lapidada, não tem preço

Lutar e decifrar, é o preço da partilha
Te encontrei ou te perdi?
Alice ou Priscila?

Um comentário:

Unknown disse...

Inacreditável um homem assim...
Inacreditável alguém te deixar ir...