A crise da doutrina Bush
O último dia 7 de novembro marcou definitivamente o que muitos analistas, políticos e intelectuais, tanto de esquerda quanto de direita, já vinham prevendo: Bush e sua doutrina de "guerra contra o terror" estavam com seus dias contados.
Isso mesmo, tanto Bush quanto a sua doutrina. A política de "guerra contra o terror" está na corda bamba. Donald Rumsfield, o secretário de defesa da invasão do Afeganistão (outubro de 2001) e da ocupação do Iraque (março de 2003), foi o primeiro a cair. Sua demissão-renúncia é apenas a ponta de iceberg que ainda tem muito mais gelos nas profudesas do pentágono. Essa estratégia de "garrote" do imperialismo norte-americano já vinha mostrando sinais de falência desde pouco depois da ocupação, que de fato, não conseguiu conter a forte resistência do povo iraquiano contra os invasores e seus lacaios locais. É o que chamamos de "empantamento", isto é, as tropas imperialistas se comportaram, a cada dia que se passava, como se estivessem em um atoleiro - um verdadeiro pântano - de onde não conseguiam sair, sem que não sofressem uma vergonhosa derrota. Daí é que passou a ser inevitável qualquer comparação da situação atual com a do Vietnã.
A forca não parece um pesadelo somente para Saddam Hussein, basta ver a derrota fragorosa dos republicanos nas legislativas deste mês de novembro. Tanto para a Câmara dos representantes (Deputados) como para o Senado, os governistas não perdiam a maioria há mais de doze anos.
15 de novembro de 2006
2 de julho de 2006
Um "sentido" para a vida?
Todos passamos muitos anos procurando algum sentido para a vida. Este sentido na maioria das vezes significa o que pretendemos fazer durante a vida e quais são as perspectivas para além da morte. Em primeiro lugar, a busca por sentido da vida está relacionada com a situação a qual nos damos desde que nascemos. O "sentido" da vida tem a ver com que tipo de vida levamos. As famílias ricas, burguesas, têm seus filhos no mais completo luxo. Com as mais variedades e mais sofisticados artigos, utensílios, abrigos, transportes, aparelhos, medicamentos e alimentos disponíveis na face da Terra. Sendo assim, buscar esse "sentido" da vida para a burguesia é algo mais acessível. Desde a própria possibilidade de reflexão sobre a existência, até as condições de transformar informações em conhecimento, a burguesia encontra maior facilidade. E este sentido pode adquirir inúmeras facetas. O burguês pode ser quase tudo o que quiser, e além disso pode dar quase qualquer rumo a sua vida, inclusive uma vida limitada, sem conforto ou qualquer extravagância (Neste caso raríssimo, em especial, a própria burguesia denomina correntemente como excentricidade). Este é o "sentido" da vida de burguesia, que é uma ínfima minoria da humanidade, mas que impõe a todos os humanos os seus "valores". Ocorre que o fundamental para o encontro com o sentido da vida de qualquer pessoa, de qualquer classe social é a sua posição em relação ao trabalho.
Alguns trabalhadores, senão a imensa maioria, mais cedo ou mais tarde chegam invariavelmente a conclusão que nasceram, cresceram e morrerão em função de trabalhar, isto é, que o trabalho seria o "sentido" das suas vidas. Por isso, o desespero causado pelo desemprego.
Na verdade, não podemos determinar qual é o sentido da nossa vida somente por nossa vontade. As relações sócio-econômicas da sociedade capitalista interferem diretamente nas possiblidades que são apresentadas. Vivemos na sociedade do culto ao individualismo, mas descobrimos que até os rumos das nossas vidas dependem da coletividade, portanto, esta é mais uma contradição de ferro do sistema capitalista-imperialista.
Este sistema repugnante aliena as classes sociais despossuídas no sentido de não haver discernimento por parte delas com relação ao excedente de produção social a qual elas foram responsáveis pela principal força produtiva: seus músculos e sua mente.
É impossível a humanidade, pessoa a pessoa, sob o capitalismo conhecer o "sentido" das suas vidas. Justamente porque o sentido da vida de um ser humano é o encontro com a sua própria condição de ser humano. E isto, nem sequer a "vanguarda" da humanidade, os quadros revolucionários, conseguem atingir sob este sistema de maneira plena. Sempre lutamos para atingí-las de modo parcial, limitada. O encontro com a nossa própria condição de ser humano é pautada na felicidade social humana universal, isto é, sem fome, privações materiais e de conhecimento, sem alienação, etc. E isto só pode ser atingido em uma sociedade de transição a um mundo sem classes sociais, ou seja, uma sociedade socialista.
Por isso, para um revolucionário, socialista, defensor da classe operária, o único sentido da vida é o de lutar para destruir o poder burguês, sistema sistema ideológico e econômico. Luta que se traduz na organização da classe operária, trazendo consigo a juventude e demais setores populares criarem suas próprias organizações de poder e de governo para a vida das massas, sem a menor participação da burguesia. Classe operária que, junto à sua vanguarda, o partido revolucionário, criará a verdadeira ideologia, a verdadeira moral, o verdadeiro sentido para a vida: o socialista!
Todos passamos muitos anos procurando algum sentido para a vida. Este sentido na maioria das vezes significa o que pretendemos fazer durante a vida e quais são as perspectivas para além da morte. Em primeiro lugar, a busca por sentido da vida está relacionada com a situação a qual nos damos desde que nascemos. O "sentido" da vida tem a ver com que tipo de vida levamos. As famílias ricas, burguesas, têm seus filhos no mais completo luxo. Com as mais variedades e mais sofisticados artigos, utensílios, abrigos, transportes, aparelhos, medicamentos e alimentos disponíveis na face da Terra. Sendo assim, buscar esse "sentido" da vida para a burguesia é algo mais acessível. Desde a própria possibilidade de reflexão sobre a existência, até as condições de transformar informações em conhecimento, a burguesia encontra maior facilidade. E este sentido pode adquirir inúmeras facetas. O burguês pode ser quase tudo o que quiser, e além disso pode dar quase qualquer rumo a sua vida, inclusive uma vida limitada, sem conforto ou qualquer extravagância (Neste caso raríssimo, em especial, a própria burguesia denomina correntemente como excentricidade). Este é o "sentido" da vida de burguesia, que é uma ínfima minoria da humanidade, mas que impõe a todos os humanos os seus "valores". Ocorre que o fundamental para o encontro com o sentido da vida de qualquer pessoa, de qualquer classe social é a sua posição em relação ao trabalho.
Alguns trabalhadores, senão a imensa maioria, mais cedo ou mais tarde chegam invariavelmente a conclusão que nasceram, cresceram e morrerão em função de trabalhar, isto é, que o trabalho seria o "sentido" das suas vidas. Por isso, o desespero causado pelo desemprego.
Na verdade, não podemos determinar qual é o sentido da nossa vida somente por nossa vontade. As relações sócio-econômicas da sociedade capitalista interferem diretamente nas possiblidades que são apresentadas. Vivemos na sociedade do culto ao individualismo, mas descobrimos que até os rumos das nossas vidas dependem da coletividade, portanto, esta é mais uma contradição de ferro do sistema capitalista-imperialista.
Este sistema repugnante aliena as classes sociais despossuídas no sentido de não haver discernimento por parte delas com relação ao excedente de produção social a qual elas foram responsáveis pela principal força produtiva: seus músculos e sua mente.
É impossível a humanidade, pessoa a pessoa, sob o capitalismo conhecer o "sentido" das suas vidas. Justamente porque o sentido da vida de um ser humano é o encontro com a sua própria condição de ser humano. E isto, nem sequer a "vanguarda" da humanidade, os quadros revolucionários, conseguem atingir sob este sistema de maneira plena. Sempre lutamos para atingí-las de modo parcial, limitada. O encontro com a nossa própria condição de ser humano é pautada na felicidade social humana universal, isto é, sem fome, privações materiais e de conhecimento, sem alienação, etc. E isto só pode ser atingido em uma sociedade de transição a um mundo sem classes sociais, ou seja, uma sociedade socialista.
Por isso, para um revolucionário, socialista, defensor da classe operária, o único sentido da vida é o de lutar para destruir o poder burguês, sistema sistema ideológico e econômico. Luta que se traduz na organização da classe operária, trazendo consigo a juventude e demais setores populares criarem suas próprias organizações de poder e de governo para a vida das massas, sem a menor participação da burguesia. Classe operária que, junto à sua vanguarda, o partido revolucionário, criará a verdadeira ideologia, a verdadeira moral, o verdadeiro sentido para a vida: o socialista!
19 de junho de 2006
Um dia de cão!
Hoje eu quero tratar acerca da minha última sexta-feira (16/06/2006) - só agora notei a formação 6-6-6 nos últimos três algarismos de cada número, que isso quer dizer?! Bom, eu ainda não tenho resposta pra tudo, né? Portanto, vou continuar levando essa vidinha fácil de mero especulador (de idéias próprias, tá?).
O fato é o seguinte: o dia em questão foi um dos mais desastrados dos últimos anos. As desordens começaram ainda no dia anterior, 15 de junho, exatamente no meu aniversário. Eu estava no finzinho de uma beat reunion quando me bateu a necessidade de rumar pra casa, por causa do trabalho no dia seguinte. Beleza, chego em casa, durmo, acordo na sexta, às cinco e quarenta. Às sete da matina, me lanço no busu, pago inteira porque meu Pass Card tava zerado. Até aí daria pra tirar de letra. Mas quando cheguei no trabalho, eu quem fui tirado do sério: ponto facultativo. Recapitulando , por conta do trabalho que não houve, voltei de Vera Cruz às pressas, não curti o resto da noite na casa do Moon, acordei super cedo e com uma puta ressaca em pleno feriadão, e gastei cinco reais à toa com passagens de ida e volta ao Rio Pequeno - Paranã Mirim. Tudo bem, ainda eram oito e trinta da manhã e o dia ainda poderia ser salvo. Ou não.
Fui sacar uma grana e percebi que haviam depositado menos do que o devido. Isto após ter ficado em uma primeira fila de caixa eletrônico e ter sido surpreendido pela sutil mensagem filha-da-puta: "SAQUE INDISPONÍVEL". Resolvi passar, então, o restante da manhã entre uma lan house, um restaurante e um play game no centro daquela cidade. Treze horas, tinha que voltar pra casa.
Fui entregar um DVD que alugara na última quarta-feira, quando me reporto à moça do balcão e faço, estupidamente, uma pergunta a qual eu achava que já sabia a resposta, e sou surpreendido:
- Quanto custa moça?
- Quatro reais. - respondeu a balconista.
- Mas ontem foi feriado, não devia ter contado. - Respondi furioso.
- O senhor se enganou, o senhor me deve quatro reais!
- Pois eu só pagarei dois! - Disse em tom de ultimato.
Vinte segundos depois, eu já tinha caído fora dali, com apenas dois mangos a menos no bolso.
Dezesseis horas e cinco minutos: hora de ir pra UFRN, comprar passes, tirar meu atestado de matrícula, pegar alguma coisa na biblioteca, criar meu blog e vê a jú. (A ordem de importância das tarefas foi propositalmente invertida).
Acontece que minha carteira de estudante estava bloqueada; cheguei quinze minutos após jú ter ido embora; perdi tudo do meu primeiro post, após passar trinta minutos digitando; e esqueci de ir tirar meu atestado de matrícula. Fiquei de saco cheio. Desisti de ir pegar qualquer coisa biblioteca.
Já eram mais ou menos dezoito e trinta. Decidi zapar pra casa, desfiz meus planos de rumar pro Centro, tinha certeza que se fosse pra lá, alguma coisa desgraçada aconteceria. Ou um assalto, ou um atropelamento ou mesmo uma briga de bar, em algum daqueles lugares sórdidos, por qualquer futilidade. Algo assim me esperava, eu sabia.
São dezonove horas, chego em casa. Assim termina um típico dia de cão!
Hoje eu quero tratar acerca da minha última sexta-feira (16/06/2006) - só agora notei a formação 6-6-6 nos últimos três algarismos de cada número, que isso quer dizer?! Bom, eu ainda não tenho resposta pra tudo, né? Portanto, vou continuar levando essa vidinha fácil de mero especulador (de idéias próprias, tá?).
O fato é o seguinte: o dia em questão foi um dos mais desastrados dos últimos anos. As desordens começaram ainda no dia anterior, 15 de junho, exatamente no meu aniversário. Eu estava no finzinho de uma beat reunion quando me bateu a necessidade de rumar pra casa, por causa do trabalho no dia seguinte. Beleza, chego em casa, durmo, acordo na sexta, às cinco e quarenta. Às sete da matina, me lanço no busu, pago inteira porque meu Pass Card tava zerado. Até aí daria pra tirar de letra. Mas quando cheguei no trabalho, eu quem fui tirado do sério: ponto facultativo. Recapitulando , por conta do trabalho que não houve, voltei de Vera Cruz às pressas, não curti o resto da noite na casa do Moon, acordei super cedo e com uma puta ressaca em pleno feriadão, e gastei cinco reais à toa com passagens de ida e volta ao Rio Pequeno - Paranã Mirim. Tudo bem, ainda eram oito e trinta da manhã e o dia ainda poderia ser salvo. Ou não.
Fui sacar uma grana e percebi que haviam depositado menos do que o devido. Isto após ter ficado em uma primeira fila de caixa eletrônico e ter sido surpreendido pela sutil mensagem filha-da-puta: "SAQUE INDISPONÍVEL". Resolvi passar, então, o restante da manhã entre uma lan house, um restaurante e um play game no centro daquela cidade. Treze horas, tinha que voltar pra casa.
Fui entregar um DVD que alugara na última quarta-feira, quando me reporto à moça do balcão e faço, estupidamente, uma pergunta a qual eu achava que já sabia a resposta, e sou surpreendido:
- Quanto custa moça?
- Quatro reais. - respondeu a balconista.
- Mas ontem foi feriado, não devia ter contado. - Respondi furioso.
- O senhor se enganou, o senhor me deve quatro reais!
- Pois eu só pagarei dois! - Disse em tom de ultimato.
Vinte segundos depois, eu já tinha caído fora dali, com apenas dois mangos a menos no bolso.
Dezesseis horas e cinco minutos: hora de ir pra UFRN, comprar passes, tirar meu atestado de matrícula, pegar alguma coisa na biblioteca, criar meu blog e vê a jú. (A ordem de importância das tarefas foi propositalmente invertida).
Acontece que minha carteira de estudante estava bloqueada; cheguei quinze minutos após jú ter ido embora; perdi tudo do meu primeiro post, após passar trinta minutos digitando; e esqueci de ir tirar meu atestado de matrícula. Fiquei de saco cheio. Desisti de ir pegar qualquer coisa biblioteca.
Já eram mais ou menos dezoito e trinta. Decidi zapar pra casa, desfiz meus planos de rumar pro Centro, tinha certeza que se fosse pra lá, alguma coisa desgraçada aconteceria. Ou um assalto, ou um atropelamento ou mesmo uma briga de bar, em algum daqueles lugares sórdidos, por qualquer futilidade. Algo assim me esperava, eu sabia.
São dezonove horas, chego em casa. Assim termina um típico dia de cão!
16 de junho de 2006
Se tudo tem começo: eis o do meu diário virtual.
Sempre quis ter um diário. Imaginava que seria útil um dia pra rememorar essa vida louca, instigante, sofredora-prazerosa. Algo assim. Bem intimista mesmo. Eis que me ocorre que o meu primeiro diário pra valer será este aqui. Um Blog. Viva a revolução! (segundo Moreno, toda transformação que ocorra com o velho que o torne completamente distinto do novo pode ser considerado uma revolução, em oposição as reformas. E assim é com as antigas cadernetas de papel e os atuais blogs). E assim eu encaro mais este desafio, mais este projeto, que espero, sinceramente, não ter que abandoná-lo na primeira esquina.
A primeira coisa a tratar aqui é algo simbólico pra mim. Trata-se do dia em que se completou a vigésima quarta volta translacional da minha existência como a conheço atualmente. O dia começou aparentemente igual aos outros, e não podia ser diferente. Estava frio e chovia. Acordei cedo demais para um feriado - isso sempre acontece, nos dias em que tenho que trabalhar a coisa não funciona tão bem assim, ainda bem. Estava tudo pronto pra partida à Vera Cruz, a terra da minha infância infame, ativa e ingênua. Fomos eu, Carol, os sobrinhos - Arthur e Daniel - e minha vó. Percebi como era incrível como as coisas naquele recanto estavam do modo como sempre estiveram. De cara vi minha bisavó - "mãe Rita" -, é como todos do clã a chamam. Ela é uma das poucas pessoas com quem eu ainda posso me orgulhar, uma velha de noventa e tantos anos, lúcida, católica e carinhosa com todos. Guarda na parede da sua minúscula sala de estar uma foto, de uns vinte anos atrás, em que estou eu e minhã irmã. Os únicos entre suas dezenas de bisnetos que gozam de tal privilégio, pra mim chega mesmo a ser uma honra.
Aproveitei pra rever o maior número de pessoas que significaram alguma coisa na minha infância por aquelas bandas. Logo estava com um primo fumando um Free e tomando uma bebida tão forte que minhas orelhas ardiam. Os sobrinhos estavam brincando e correndo soltos com a primalhada e todos os bichos possíveis de se encontrar naquele terreiro. Danny me confessaria mais tarde que havia adorado aquele dia. Na verdade, a primeira coisa que fizemos foi visitar o túmulo do meu avô, Danny se decepcionaria ao fim da visita por não encontrar seu comprade, o Puro Osso. Aproveitei que o dia estava tranqüilo e decidi tomar mais algumas cervejas e fumar alguns cigarros. A tarde já estava definhando, era hora de cair fora.
Quando me dei conta já estávamos novamente em Natal. Primeira parada: Av. Maria Lacerda. O Flávio me contara que iria rolar uma beat reunion extraordinária por aquelas redondezas. Quem me conhece sabe de onde estou me refirindo. Resolvi comprar mais algumas cervejas e subir logo. Liguei e soube que já estavam quase todos por lá e que já estavam curtindo bastante. Encontrei Flávio, Moon, a quinta elementa e um desconhecido. Sempre tem alguém desconhecido por lá, algum amigo do Moon que excepcionalmente se aventura a curtir um pouco das nossas loucas viagens. Só faltava o velho búfalo Lee, mas eu sabia que este viajara a fim de cumprir uma missão da mais alta importância e que a esta altura já devia se achar por outras paragens, ao sul. Estava rolando Bebé de Natércio, o som preferido do Flávio desta temporada, que se encerrará provavelmente no próximo verão. Todos já estavam de saco cheio daquele som. Como eu tinha as credenciais daquele dia, eu podia opinar decisivamente quanto ao som que ouviríamos, pelo menos este foi o acordo que surgiu subitamente a fim de passar a perna em Bebé. Então ouvimos pela segunda vez naquele dia (a segunda deles e a primeira minha, posto que eu acabara de chegar) Conspiração Apocalipse, o som mais alucinante, áspero e sincero que o rock nordestino conseguira produzir. Ainda ouviríamos outros sons, inclusive aquelas breguices francesas recheadas de "mon amour". Conversamos novamente sobre tudo. Rolaram altas rodadas de tudo. Resolvi ligar pra alguém que eu amo, Juliana. Conversamos sobre o papo que vinha me enchendo a cabeça desde a quarta-feira. Dei a minha opinião, ouvi a dela. Prometemos nos ver o mais rápido possível. Desligamos. Daí eu partir para fazer o que ela havia me recomendado: curtir o resto do meu aniversário!
Desci junto com a quinta elementa (é assim que chamo, carinhosamente a Sandra, por ser ela a provável quinta integrante da nossa comunidade beat, juntando-se assim a mim, Old Bull, Moon e Flávio), fomos comprar mais algumas cervejas. Logo após estas, eu já me encontrava completamente bêbado e cansado. Deitei e resolvi relaxar até recobrar a minha lucidez. A idéia de ter que acordar cedo e bem no outro dia me martelava a consciência. Saltei da rede e falei: "Chegou a minha hora, vou embora agora!". Caí fora dali.
Caminhei até a minha casa (putz, quase meia hora). 15 de junho de 2006. Um dia e tanto pra alguém como eu.
PS: Quando iniciei o segundo parágrafo deste post já estava em mente o segundo, logo saberemos o por quê.
A primeira coisa a tratar aqui é algo simbólico pra mim. Trata-se do dia em que se completou a vigésima quarta volta translacional da minha existência como a conheço atualmente. O dia começou aparentemente igual aos outros, e não podia ser diferente. Estava frio e chovia. Acordei cedo demais para um feriado - isso sempre acontece, nos dias em que tenho que trabalhar a coisa não funciona tão bem assim, ainda bem. Estava tudo pronto pra partida à Vera Cruz, a terra da minha infância infame, ativa e ingênua. Fomos eu, Carol, os sobrinhos - Arthur e Daniel - e minha vó. Percebi como era incrível como as coisas naquele recanto estavam do modo como sempre estiveram. De cara vi minha bisavó - "mãe Rita" -, é como todos do clã a chamam. Ela é uma das poucas pessoas com quem eu ainda posso me orgulhar, uma velha de noventa e tantos anos, lúcida, católica e carinhosa com todos. Guarda na parede da sua minúscula sala de estar uma foto, de uns vinte anos atrás, em que estou eu e minhã irmã. Os únicos entre suas dezenas de bisnetos que gozam de tal privilégio, pra mim chega mesmo a ser uma honra.
Aproveitei pra rever o maior número de pessoas que significaram alguma coisa na minha infância por aquelas bandas. Logo estava com um primo fumando um Free e tomando uma bebida tão forte que minhas orelhas ardiam. Os sobrinhos estavam brincando e correndo soltos com a primalhada e todos os bichos possíveis de se encontrar naquele terreiro. Danny me confessaria mais tarde que havia adorado aquele dia. Na verdade, a primeira coisa que fizemos foi visitar o túmulo do meu avô, Danny se decepcionaria ao fim da visita por não encontrar seu comprade, o Puro Osso. Aproveitei que o dia estava tranqüilo e decidi tomar mais algumas cervejas e fumar alguns cigarros. A tarde já estava definhando, era hora de cair fora.
Quando me dei conta já estávamos novamente em Natal. Primeira parada: Av. Maria Lacerda. O Flávio me contara que iria rolar uma beat reunion extraordinária por aquelas redondezas. Quem me conhece sabe de onde estou me refirindo. Resolvi comprar mais algumas cervejas e subir logo. Liguei e soube que já estavam quase todos por lá e que já estavam curtindo bastante. Encontrei Flávio, Moon, a quinta elementa e um desconhecido. Sempre tem alguém desconhecido por lá, algum amigo do Moon que excepcionalmente se aventura a curtir um pouco das nossas loucas viagens. Só faltava o velho búfalo Lee, mas eu sabia que este viajara a fim de cumprir uma missão da mais alta importância e que a esta altura já devia se achar por outras paragens, ao sul. Estava rolando Bebé de Natércio, o som preferido do Flávio desta temporada, que se encerrará provavelmente no próximo verão. Todos já estavam de saco cheio daquele som. Como eu tinha as credenciais daquele dia, eu podia opinar decisivamente quanto ao som que ouviríamos, pelo menos este foi o acordo que surgiu subitamente a fim de passar a perna em Bebé. Então ouvimos pela segunda vez naquele dia (a segunda deles e a primeira minha, posto que eu acabara de chegar) Conspiração Apocalipse, o som mais alucinante, áspero e sincero que o rock nordestino conseguira produzir. Ainda ouviríamos outros sons, inclusive aquelas breguices francesas recheadas de "mon amour". Conversamos novamente sobre tudo. Rolaram altas rodadas de tudo. Resolvi ligar pra alguém que eu amo, Juliana. Conversamos sobre o papo que vinha me enchendo a cabeça desde a quarta-feira. Dei a minha opinião, ouvi a dela. Prometemos nos ver o mais rápido possível. Desligamos. Daí eu partir para fazer o que ela havia me recomendado: curtir o resto do meu aniversário!
Desci junto com a quinta elementa (é assim que chamo, carinhosamente a Sandra, por ser ela a provável quinta integrante da nossa comunidade beat, juntando-se assim a mim, Old Bull, Moon e Flávio), fomos comprar mais algumas cervejas. Logo após estas, eu já me encontrava completamente bêbado e cansado. Deitei e resolvi relaxar até recobrar a minha lucidez. A idéia de ter que acordar cedo e bem no outro dia me martelava a consciência. Saltei da rede e falei: "Chegou a minha hora, vou embora agora!". Caí fora dali.
Caminhei até a minha casa (putz, quase meia hora). 15 de junho de 2006. Um dia e tanto pra alguém como eu.
PS: Quando iniciei o segundo parágrafo deste post já estava em mente o segundo, logo saberemos o por quê.
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