2 de julho de 2006

Um "sentido" para a vida?

Todos passamos muitos anos procurando algum sentido para a vida. Este sentido na maioria das vezes significa o que pretendemos fazer durante a vida e quais são as perspectivas para além da morte. Em primeiro lugar, a busca por sentido da vida está relacionada com a situação a qual nos damos desde que nascemos. O "sentido" da vida tem a ver com que tipo de vida levamos. As famílias ricas, burguesas, têm seus filhos no mais completo luxo. Com as mais variedades e mais sofisticados artigos, utensílios, abrigos, transportes, aparelhos, medicamentos e alimentos disponíveis na face da Terra. Sendo assim, buscar esse "sentido" da vida para a burguesia é algo mais acessível. Desde a própria possibilidade de reflexão sobre a existência, até as condições de transformar informações em conhecimento, a burguesia encontra maior facilidade. E este sentido pode adquirir inúmeras facetas. O burguês pode ser quase tudo o que quiser, e além disso pode dar quase qualquer rumo a sua vida, inclusive uma vida limitada, sem conforto ou qualquer extravagância (Neste caso raríssimo, em especial, a própria burguesia denomina correntemente como excentricidade). Este é o "sentido" da vida de burguesia, que é uma ínfima minoria da humanidade, mas que impõe a todos os humanos os seus "valores". Ocorre que o fundamental para o encontro com o sentido da vida de qualquer pessoa, de qualquer classe social é a sua posição em relação ao trabalho.

Alguns trabalhadores, senão a imensa maioria, mais cedo ou mais tarde chegam invariavelmente a conclusão que nasceram, cresceram e morrerão em função de trabalhar, isto é, que o trabalho seria o "sentido" das suas vidas. Por isso, o desespero causado pelo desemprego.

Na verdade, não podemos determinar qual é o sentido da nossa vida somente por nossa vontade. As relações sócio-econômicas da sociedade capitalista interferem diretamente nas possiblidades que são apresentadas. Vivemos na sociedade do culto ao individualismo, mas descobrimos que até os rumos das nossas vidas dependem da coletividade, portanto, esta é mais uma contradição de ferro do sistema capitalista-imperialista.

Este sistema repugnante aliena as classes sociais despossuídas no sentido de não haver discernimento por parte delas com relação ao excedente de produção social a qual elas foram responsáveis pela principal força produtiva: seus músculos e sua mente.

É impossível a humanidade, pessoa a pessoa, sob o capitalismo conhecer o "sentido" das suas vidas. Justamente porque o sentido da vida de um ser humano é o encontro com a sua própria condição de ser humano. E isto, nem sequer a "vanguarda" da humanidade, os quadros revolucionários, conseguem atingir sob este sistema de maneira plena. Sempre lutamos para atingí-las de modo parcial, limitada. O encontro com a nossa própria condição de ser humano é pautada na felicidade social humana universal, isto é, sem fome, privações materiais e de conhecimento, sem alienação, etc. E isto só pode ser atingido em uma sociedade de transição a um mundo sem classes sociais, ou seja, uma sociedade socialista.

Por isso, para um revolucionário, socialista, defensor da classe operária, o único sentido da vida é o de lutar para destruir o poder burguês, sistema sistema ideológico e econômico. Luta que se traduz na organização da classe operária, trazendo consigo a juventude e demais setores populares criarem suas próprias organizações de poder e de governo para a vida das massas, sem a menor participação da burguesia. Classe operária que, junto à sua vanguarda, o partido revolucionário, criará a verdadeira ideologia, a verdadeira moral, o verdadeiro sentido para a vida: o socialista!

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