10 de março de 2008

Em 8 de março, assim como em todos os dias, mulheres e homens trabalhadores devemos lutar.

Estamos a 151 anos do massacre imposto às 129 operárias téxteis de Nova Iorque, EUA, em 8 de março de 1857. Neste século e meio de lutas da classe operária mundial muitas vitórias táticas e derrotas estratégicas marcaram essa caminhada para as mulheres da nossa classe. Algumas concessões - advindas do período de ascensão do capitalismo (1860-1890) - foram dadas às mulheres e homens de nossa classe, vale ressaltar que ao custo de muitas lutas encarniçadas. Jornada de oito horas, proibição do trabalho infantil, direito ao voto, acesso a educação, salários menos desiguais (no século XIX as mulheres chegavam a receber 1/3 do salário dos homens, hoje as mulheres recebem cerca de 70% do que o homem).

Evidentemente, falta muito para as mulheres conquistarem tanto do ponto de vista econômico e social, quanto do ponto vista humano e moral. Além da exploração comum a toda classe trabalhadora, as mulheres sofrem o que chamamos opressão. Opressão é quando um gênero, uma raça, uma nacionalidade, uma orientação sexual, um grupo social ou religioso é colocado em posição de submissão e dessa posição se vale o opressor para ampliar a exploração. As mulheres, portanto, no capitalismo, são exploradas enquanto trabalhadoras e oprimidas enquanto mulheres.

As mulheres burguesas são oprimidas pelos homens burgueses, mas não são exploradas, ou seja, sua relação social diante da propriedade é a mesma. Por isso, os objetivos históricos das mulheres burguesas e das mulheres trabalhadoras são igualmente antagônicos e irreconciliáveis.

As mulheres da classe trabalhadora sofrem cotidianamente com o machismo empregado no trabalho. Sofrem também com as "triplas jornadas", que começam no local de trabalho e acabam em casa ou vice e versa. Outras sofrem com o super-alienante trabalho doméstico não pago, extremamente desvalorizado por seus companheiros e pela sociedade em geral. Além da opressão vinda diretamente do sistema capitalista (empreendida pelo patrão - através de salários menores do que o dos homens, assédio sexual, etc), existe ainda a opressão vinda dos seus próprios companheiros, filhos, pais, colegas homens de trabalho (uma expressão da ideologia burguesa dentro da classe trabalhadora).

Nem quando pretensos governos de frente-popular chegam ao poder, como o de Lula/PT e PCdoB, a situação da mulher muda para melhor. Como esses governos são burgueses disfarçados de operários (a história dos 5 anos de governo Lula já demonstrou isso) a situação da mulher trabalhadora só piora. Muitas "reformas" neoliberais que os governos anteriores não conseguiram implementar, o governo Lula vem tentando implementar como a reforma da previdência que aumenta o tempo de trabalho da mulher, desconsiderando que esta tem uma "tripla jornada" de trabalho. Um governo que cria Secretrarias Nacionais (com status de Ministério) sem verbas e sem atuação prática na vida das mulheres; cria também leis, como a "Maria da Penha", muito bonita para sair na foto, mas que na realidade não responde e nem dá conta de conter todas as barbaridades cometidas contra a mulher pelo país a fora.

Como se não bastasse, ainda há, como é peculiar ao capitalismo, a apropriação do próprio Dia Internacional da Mulher - que como bem lembramos no início desse artigo, tem a ver com uma luta operária contra a exploração e opressão. Muitos governos, empresas e redes comerciais transformam este dia em um valioso "produto" para ser vendido como bem lhe interessar. Seja com propagandas, homenagens, flores, "liquidações" ou outras ilusões.

Para se livrar de todos esses males, as mulheres trabalhadoras em unidade com os homens desta mesma classe precisamos lutar todos os dias contra os governos que representam a burguesia, o capitalismo e o imperialismo. Precisamos somar as vitórias táticas ditas acima com a vitória estratégica, que é a vitória de uma revolução operária e socialista que destrua o capitalismo e imperialismo e comece a constuir uma nova sociadade: a socialista. E que a partir da construção dessa nova sociedade, trabalhadores e trabalhadoras possam ir destruindo os restos da opressão deixadas pela velha sociedade e, assim, a mulher possa conquistar a sua verdadeira emancipação, algo tão sonhado e que - desde a existência das sociedades com diferença de classe - jamais foi conhecida.

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