Vou me formar em história e agora?
Esse artigo foi publicado na Revista Profissionais & Negócios (Natal-RN), edição número 4, fevereiro de 2008.
A história é uma ciência inseparável da atividade humana em sociedade. Em pleno século 21, não é possível imaginar uma comunidade, um povo, um Estado, uma nação soberana sem um mínimo acervo de conhecimento sobre sua própria história.
À primeira vista, a História é apenas mais uma disciplina escolar, enfadonha para uns e apaixonante para outros. É claro que a grande maioria dos historiadores profissionais está atualmente em sala de aula. Mas ser historiador é muito mais do que isso. Em primeiro lugar, a sua formação é algo fascinante para qualquer um, independente da idade. Estudar as origens da humanidade, tomar parte de alguns problemas que nossos ancestrais enfrentaram na longa caminhada evolutiva e, por fim, conhecer as diversas organizações sociais desenvolvidas pelo homem moderno nos apresenta uma face sedutora dessa ciência. Como diria meu historiador preferido, o alemão Karl H. Marx (1818-1883): “tudo o que é humano me interessa”. Dito isso, o dilema sobre o que fazer depois de formado em História pode ser facilmente resolvido.
O graduado em História tem que responder a inúmeros desafios contemporâneos. Precisa produzir conhecimento histórico e ao mesmo tempo ter interesse e vocação para “ensinar” esse conhecimento. E é dessa maneira que a profissão de historiador se apresenta. Principalmente hoje, porque me parece que finalmente a nossa profissão não sofre mais da dicotomia professor versus pesquisador. Um historiador profissional deve ser considerado aquele que tem todas as competências tanto para lecionar quanto para pesquisar e escrever sobre história.
Encarando a profissão de historiador desde este ponto de vista, as áreas de atuação profissional se tornam múltiplas. Temos espaço no serviço público, área que nos últimos anos tem passado por um boom na oferta de vagas, e onde podemos desenvolver pesquisa, trabalharmos com arquivos públicos, produzirmos trabalhos historiográficos de interesse público; para quem gosta de trabalho ao ar livre, longe dos gabinetes acadêmicos ou das repartições, existe a possibilidade de trabalho com a arqueologia, que busca através de escavações em sítios arqueológicos encontrar indícios do nosso passado remoto; além, é claro, do espaço da sala de aula, para os que gostam de ter contato com a discussão e a reflexão cotidiana com alunos do ensino básico ou nas universidades com os futuros historiadores.
Assim é o universo do historiador profissional. Cheio de desafios que exigem respostas para entendermos bem aonde chegamos neste mundo contemporâneo. E de onde tiraremos do passado, algumas conclusões que sirvam de norte para os problemas e inquietações do presente.
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