31 de janeiro de 2008

Contributo ao Manifesto dos Barretes Vermelhos em Fúria
Diante da guilhotina um ser de olhar tácito e lúgubre espera para pagar tudo o que cometeu sobre a face da Terra. Não se sabe ao certo se o infame explorou centenas ou milhares de homens e mulheres no chão de uma fábrica ou nas profundezas de uma mina; nas caldeiras de uma usina ou nos corredores de um magazine. O que sim se sabe é que a hora do acerto de contas está próximo. O povo, o justiceiro e carrasco mais legítimo de toda história, não tem permissão de oferecer clemência ao verme vil. Não lhe é dado permissão de clemência justamente pela confiança que lhe foi dada pela memória dos milhões que tombaram com a violência cotidiana do labor.
O vôo justiceiro, jacobino e certeiro é implacável. Todas são nossas armas. A foice, a guitarra, a palavra, a idéia, o amor, a música, a cena, o drama, a discussão, a filosofia, a sinergia revolucionária e tudo lo más. Não conhecemos fronteiras nem limitações culturais. Somos supra-anti-etnocentristas. Ou seja, super-culturalistas. Tudo o que é humano nos interessa e, por isso, nos é válido. Somos intransigentes, mas o contrário dos vermes sectários. A estrada é o único caminho que nos parece digno. Rompemos com o gueto, o povo nos interessa. Não somos pacifistas. Queremos a guerra. Queremos a morte do Rei e da Corte. Ou isso, ou a nossa luta até o tombo do último barrete vermelho.
Hoje somos música, somos amor, somos luta, somos liberdade, somos poesia, somos beleza, somos eternos, somos aqui-agora-e-a-todo-instante.
Somos uma confraria de Barretes Vermelhos em Fúria. Queremos sangue.

30 de janeiro de 2008

Carta II

Não consigo parar de te admirar. Nossa, cada verso contado da sua história me deixa em estado síncope. Sua bravura é surreal. Hoje você me fez seu fidedigno confidente. E com toda lealdade que for capaz, honrarei tal compromisso. Senti a tua falta. Hoje como sempre meus pulmões necessitam sentir o calor do teu hálito. Decidimos de uma vez abrirmos os capítulos das nossas vidas. Decidimos perdoarmos a nós mesmos e sermos solidários com o outro. Aqui como aí, a presença torna-se sempre uma só. Você é mais do que qualquer coisa na Terra, você é meu céu, você é meu referencial, o norte, você é tão linda. Você me diz que eu sou lindo e pela primeira vez eu acredito em alguém. Porque você para mim é a verdade. Você me quer ler, você me quer ter, você me quer sentir. Eu quero me doar. Viajaria, como fiz sonhando, à tua terra para encontrar o sentido da vida: o prazer e a felicidade plena. Não me canso de te homenagear porque isso pra mim é a forma mais honesta de te adorar. Te devo todo meu respeito, o meu compromisso. Te juro, nunca te trairei. Você não merece o engano, senão o contrário. Sou o guardião dos seus sonhos. Quando o mal te pertubar, me chame. Bastará pensar forte em mim que logo chegarei. Te amo.
(retirado do manuscrito na noite de 7 de janeiro de 2008).

29 de janeiro de 2008

Carta I

Vamos deixar a natureza guiar as nossas decisões. De que outra maneira eu poderia querer iniciar esta carta? Tão entre-nós-dois. Aparentemente pública, mas em sua essência tão íntima. É assim que tem sido. Preciso te dizer, uma vez mais e sempre direi: não se trata de uma aventura, um fetiche ou qualquer coisa do tipo, Não! Afirmarei isso sempre e mil vezes: que te adoro demais, te quero comigo... enfim, estoy enamorado de ti! Mas vamos voltar por um instante ao início. Todas as conversas que tivemos sempre direcionaram a um só destino: la pasión!

Desde tudo que trocamos, seja carinho, palavras, mirates...

agora é a minha vez de te confessar algo. A nossa paixão não tem toques, calor ou sexo. A nossa paixão é surreal. A nossa paixão é mental. Seja visual ou baseada numa troca alucinante e carregada de palavras sinceras que expressam com exatidão toda a natureza de uma paixão inexplicável, inconfessável e inexorável. Mas que você e eu aprendemos a compreendê-la e a sermos fiéis depositários dela.

(adaptação do manuscrito na madrugada do dia 5 para o dia 6 de janeiro de 2008, pois a carta original é impublicável no presente momento).

21 de janeiro de 2008

Programa estranho ou caminhos revisitados...

Sábado à noite em Natal. Desde os idos de 1998/1999, conheci a Rua Chile, Ribeira, Natal. Antes de tudo precisamos falar um pouco das suas adjacências: travessa Venezuela, travessa Argentina, rua Dr. Barata (Casarão da Ribeira), Rua Tavares Lira (Bronx), Igreja Bom Jesus (e o velho MP3 de guerra - nossa, uma oficina cheia de sucata e que deve mesmo se chamar de "Lugar do caralho!"). Dos meus 16 anos até os 21 foram por essas paragens que eu pirava. Uma noite com grana, outra só com os passes do autobus; uma noite sóbrio, outra largado pela rodoviária velha; uma noite patinho feio outra ao lado de uma gatinha. E assim era. Ao lado do velho MP3, em termos de curtição, liberdade, rock n´roll viceral e expectativas adolescentes, existia também o Casarão da Ribeira. Esse point nunca poderá ser esquecido pela geração que viveu a última década do milênio passado aqui nesta cidade. Simplesmente por isso: o Casarão era direto, seco e o ambiente falava por si só. Bastava vivenciá-lo e só. Cada noite, cada banda, cada show: marcavam impressões únicas. E assim fora.

As adjacências na verdade, nada mais do que refletiam as imagens, os sons e as energias que circulavam por todos os lados e corpos que habitavam a rua Chile em qualquer fim de semana, à noite, nos fins de 1990 e início do século XXI. Não vamos falar dos cheiros da rua Chile porque entre ares agradáveis e desagradáveis a minha memória olfativa não é capaz de recordar agora.
A rua chile, seu largo, B52, Blackout, Whiplash, Bar das bandeiras, Downtown e muitos espaços que surgiram antes e depois desses aí fizeram toda a geração anterior curtir de tudo. Isso é que era espaço pra todos os gostos, pra todas as turmas, enfim... um espaço alternativo, como em meados da década passada, nós gostávamos de nos definir.
Mas só falta uma coisa pra mim nessa história toda. Preciso sacar que esse tempo, infelizmente, já se foi. A rua chile mudou. As adjacências mudaram também. Tanto a Casa da Ribeira quanto o MP3 foram extintos. Ainda resta o Rock na Rua, que rola no meio do ano na Tavares Lira. Mas é isso. Às vezes, pode ser que tenha algo legal acontecendo pelo DoSol Rock Bar. Mas somente às vezes mesmo. Porque neste último sábado, à procura de aventuras e curtição, me dei de que cara com um showzinho frio, um público muito pequeno-burguês, alguns poucos amigos das "antigas, enfim... revisitei o lugar certo, mas no dia e na hora errada. Bueno, deixa pra próxima...

17 de janeiro de 2008

No ritmo da vida... ou como é que eu vim parar aqui?

A minha relação com o movimento literário conhecido como beat é recente. E intensa. Eu me identifiquei de cara com aquele negócio de prosa expontânea (porque há uns 5 anos atrás eu comecei a suspeitar - coisa que até hoje não confirmei - que sofro de dislexia) e me viciei em Jack Kerouac. Seu estilo, suas histórias, aventuras e principalmente a sua maneira de descrever as sensações e as vibrações das pessoas e lugares. Eu confesso que até cheguei a pensar se viver naquele estilo, curtir tudo AQUILO não seria incompatível com o meu projeto revolucionário. Nossa, por que pensei isso??? Mas é claro que ninguém vai viver como Dean Moriarty ou como Mardou Fox. Me toquei que ser beat é transar um estilo literário libertário e, junto com outros amigos beat´s, nas horas de encontros e conversas tranqüilas praticar alguns ritos beatniks. As famosas beat reunions.


Esses dois últimos anos têm sido muito ricos pra mim. Como eu sempre tenho dito, as experiências que se acumulam a cada instante-dia-segundo trazem lições tremendas pra mim. O único problema é que custo a atender. Vou explicar melhor. O verão de 2006 foi o catalisador de uma experiência-militância política muito rica pra mim. Foram várias jornadas ao redor do país. Pus meu pé na estrada literalmente, rodando pelo menos 18.000 km de ônibus em duas viagens de Natal a Brasília de ida e volta, e outra do mesmo tipo para Porto Alegre. Essas viagens, a intervenção que mantivemos no movimento estudantil, as pessoas que eu conheci, os ativistas que ajudei a ganhar para o partido, as garotas que conheci, tudo isso veio como uma tsunami no verão de 2006. Comecei cortando a minha longa cabeleira pra tipo sair do casulo, isso seria simbólico e só! Nossa, vieram mais aventuras, desafios políticos e teóricos, paixões, trabalho pesado, farras. Você pode ter certeza que nessa altura do campeonato eu tava vivendo numa pilha... Mas que nada, na verdade eu tava seguindo o ritmo da vida. Pra completar, em julho de 2006, topei a parada de lecionar pela primeira vez. Que experiência! Eu tinha simplesmente 21 turmas e ministrava aulas de História, Sociologia, Filosofia, Cultura do Rio Grande do Norte e Atualidades para o vestibular. Agora você tem noção da minha puta responsabilidade??? Bom, eu mesmo devia ter lá no fundo alguma noção, e eu tentei ser justo e correto com todas elas (e não estou dizendo isso só porque algum aluno um dia pode vir a ler isso aqui - e sim porque afinal de contas lecionar pra mim é simplesmente do caralho!). Fui expulso de 2006 em uma velocidade alucinante, quase virei um alcoólatra, briguei demais com minha mãe... Talvez em determinados momentos eu tenha mesmo perdido as rédeas. Bom, e foi nesse pique que entrei em 2007 e vocês já sabem no que deu. Bom, creio que de uns tempos pra cá as coisas tenham ficado mais sob controle, finalmente eu saquei que não sou uma personagem de Jack e sim um cara que pode curtir tudo e numa boa e da maneira tradicional por que "afinal de que outra maneira, poderíamos curtir?". É ISSO!
Hoje eu estou mesmo querendo refletir. Relaxar um pouco a cabeça. Sabe, isso é bom. Afinal de contas eu não sou nenhum paranóico pra ficar aqui só falando e me lamentando das dores que ando sentido na vida. É claro que eu não esqueço daquela garota, mas eu preciso seguir no ritmo da vida. "eu vou no ritmo da vida, eu vou no ritmo que a vida me levar... eu vou andando, eu sigo em frente a caminhar... chegando lá..." (No Ritmo da Vida - Wander Wildner).

E como bom beat, nada melhor do que escrever. Nada melhor do que pensar. Nada melhor do que viver. Nada melhor do que viajar (Buenos Aires, em julho, minha estréia como mochileiro, e esse blog irá transbordar). Nada melhor do que cantar. Nada melhor do que encontrar os amigos. Nada melhor do que surfar. Nada melhor do que rir à toa.

Até parace que eu ando assim tão feliz...

16 de janeiro de 2008

Eu não entendo por quê eu sou assim. Por que eu te perdi? Sempre que eu penso estar chegando próximo da felicidade, ou seja, próximo de encontrar mais alguma parte do sentido da vida acontece uma separação. O pior tipo de separação. Uma separação sem razão, onde os amantes são apenas duas peças de um grande xadrez universal jogado por uma mão invisível e insensível. Eu sei bem do que estou falando porque na vida eu já assisti esse filme inúmeras vezes. A diferença é que os personagens eram os outros. Mas desse filme absurdo que estou vivendo hoje eu nunca quis fazer parte, eu não conheço seu roteiro, o diretor é invisível e ele parece não ter fim. Estou me sentindo destruído. Estou com vergonha e raiva de mim mesmo. Nem me despedir eu soube. Não falei tudo o que queria, não fiz as homenagens que pretendia, não agradeci tudo o que recebi, não guardei todas as imagens que gostaria.
Agora, no ápice da minha tristeza o que menos quero é me sentir um coitado, um impotente, não quero piedade de ninguém. Meu amor foi embora. Me fez prometer um monte de coisas. Iremos guardar muitos segredos. E ter consciência disso pra mim é o bastante.
Talvez eu não tenha tomado as atitudes que ela esperava. Mas isso, porque, talvez, de fato, eu não seja quem ela esperava. Eu não sou esse anjinho que ela diz que a cativa do jeito que sou, com as coisas que falo, escrevo ou faço. Eu sou comum, não tenho como fugir com ela. Talvez ela quisesse que eu fizesse isso. Quando percebeu que eu não faria, foi embora. Será que foi isso mesmo? Será que estou sendo injusto contigo meu amor?
Um dia você será minha companheira. Você um dia terá um homem que não te tratará como sua posse, que será jovem como você, sensível como você, solidário como você y enamorado como você.

14 de janeiro de 2008

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro


Você sempre surge em minha mente
Sempre você e ninguém mais
É de você que eu me lembro
Sempre você e ninguém mais,
e ninguém mais, e ninguém mais

Eu sempre tento e não consigo
Então as vezes quando a noite chega
Eu fico só comigo mesmo
E só me resta a saudade como companhia, como companhia

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo

Você sempre surge em minha mente
Sempre você e ninguém mais
É de você que eu me lembro
Sempre você e ninguém mais, e ninguém mais, e ninguém mais

Você diz que não me quer mais
E que agora eu sou seu grande amigo
Você me quer só a metade
Mas pra mim você está em toda a parte, em toda a parte

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Eu não consigo

9 de janeiro de 2008

Invasão a sede nacional do PSTU é responsabilidade do Estado brasileiro


Muitos podem afirmar que o Brasil vive uma democracia. Mas, infelizmente, precisamos alertar as pessoas comuns honestas, porém, em certa medida, desavisadas que essa democracia tem dono. Vivemos sob a democracia dos ricos ou um regime democrático burguês, ou seja, a classe social para qual as principais instituições do regime atua é a dos capitalistas. Poderíamos dizer ainda que na verdade o regime brasileiro é subordinado aos interesses do capital internacional de conjunto, reduzindo-o então a uma “democracia semi-colonial”.

Evidentemente, o movimento de massas brasileiro não vive uma perseguição policial aberta, típica de um regime bonapartista ou fascista. Mas a crescente criminalização dos movimentos sociais já começa a chamar a atenção. O PSTU é um partido que não se rendeu a frente popular encabeçada por Lula e apoiada intransigentemente pelo PT, PCdoB, CUT e UNE. Pe1o contrário, o nosso partido desde o primeiro dia de Lula no governo exigimos que este rompesse com o FMI e a ALCA, deixasse de pagar a dívida externa. A história está aí para mostrar o que a frente popular fez contra os trabalhadores: salários de fome, cortes nas verbas sociais, não fez reforma agrária, manteve o desemprego. Por outro lado, os banqueiros e usineiros nunca lucraram tanto quanto no governo Lula.

É essa postura do PSTU que chama atenção dos serviços de inteligência do Estado. O assalto a sede do partido foi sim um ataque político. Toda a responsabilidade deve ser dada ao governo Lula. Este governo deve explicações ao PSTU e ao movimento operário, estudantil e popular.

Em 2008, tomaremos as ruas contra a reformas da previdência e o Reuni, mas também contra a crimizalização dos movimentos sociais que conheceu, infelizmente, mais um capítulo nesta virada de ano, com o ataque a sede nacional do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado.

2 de janeiro de 2008

Um capítulo chamado 2007
Um ano que começou no dia 5 de janeiro. O dia em que saí definitivamente da casa da minha mãe e resolvi morar sozinho. Na verdade, o ano havia começado três dias antes. Em 2 de janeiro, saí de casa com o firme propósito de pedir demissão do meu emprego público. Alguns minutos de atraso de um ônibus me separaram de realizar (talvez) a maior idiotice da minha vida. Por conta dessa demora insuportável na condução, decidi encontrar com o meu futuro companheiro de apartamento: o G. Em um dia conseguimos o apartamento ideal, na rua Felipe Camarão, coração de Natal. Voltando ao dia 5, de fato esse fora o dia em que resolvi sair das asas de mi madre. Mas não era só isso.

Bom, o que importa é que o ritmo alucinante da vida havia transpassado 2006 e entrado com tudo em 2007. A farra não havia acabado. Isso, também, porque meus planos de lecionar história haviam fracassado. Eu estava de saco cheio de tudo, queria lagar o emprego, vivia em bebedeiras e orgias homéricas; raramente estava sóbrio. Foi assim nas férias de janeiro, no carnaval, em março. Surgiu até um hóspede indesejado, mas fazer o que? Pra que servem os amigos afinal?

O previsível ocorreu: no dia 15 de abril, fui posto pra rua! Tive que arrumar todas as minhas tralhas em poucos dias e arranjar um lugar pra ir. Nenhuma alternativa decente me aparecia pela frente já havia dias. Finalmente, um nobre companheiro do partido me ofereceu um pouso até as coisas ficarem mais calmas. Três dias depois eu já arrumara um novo emprego e pedira licença do meu emprego público (do qual já estava de saco cheio mesmo).

As coisas pareciam ficar mais ordenadas nesse período de 2007. Estávamos quase na sua metade, eu morava com uma família respeitável. Tinha um emprego digno e que eu gostava, por toda a novidade que aquilo representava. Por hora, estava mantido longe de encrencas e de novas farras desestabilizantes. Por volta de 20 de junho, eu já estaria ocupando o meu terceiro endereço, tecnicamente falando. Um cubículo que tinha lugar em uma viela, em alguma ruela de Lagoa Nova. Até hoje, nunca me importei de tomar o nome daquela “rua”, só lembro que o número da minha cela era sete!

Desse endereço não guardo nenhum significado especial, exceto o fato de eu conhecer a K., gerente do melhor cachorro quente da cidade. Importante dizer isso aqui e agora, pois afinal de contas esse foi o único jantar digno que por semanas me alimentaram. Mas, aquela cela estava me deixando louco e a cada dia mais pobre. 40% dos meus proventos serviam ao aluguel.

Foi assim que decidi iniciar a terceira (ou quarta) fase do ano. Procurei meu companheiro M. de algumas aventuras e de muitas afinidades artísticas. Afinal, ele também estava morando sozinho em um cubículo. Passei um mês com ele nessa célula e depois partimos para uma casa.

Às vezes pode parecer que a minha história de dois mil e sete é a história dos meus endereços e de minhas andanças. Mas não foi só isso: foi uma época de muita reflexão, experiências musicais, sexuais, existenciais, alucinógenas e literárias. Foi o ano de por em prática aquilo que eu sempre via com muita atenção e excitação os outros fazerem e contarem. De certo modo, às vezes penso que ultrapassei alguns limites. A única coisa que tenho certeza é que esse foi o ano mais beat de todos. Quanto a isso, ainda é cedo para afirmar se foi um ano bom ou ruim. Porque 2007 continuará sendo sempre um capítulo inconcluso da minha vida.