2 de janeiro de 2008

Um capítulo chamado 2007
Um ano que começou no dia 5 de janeiro. O dia em que saí definitivamente da casa da minha mãe e resolvi morar sozinho. Na verdade, o ano havia começado três dias antes. Em 2 de janeiro, saí de casa com o firme propósito de pedir demissão do meu emprego público. Alguns minutos de atraso de um ônibus me separaram de realizar (talvez) a maior idiotice da minha vida. Por conta dessa demora insuportável na condução, decidi encontrar com o meu futuro companheiro de apartamento: o G. Em um dia conseguimos o apartamento ideal, na rua Felipe Camarão, coração de Natal. Voltando ao dia 5, de fato esse fora o dia em que resolvi sair das asas de mi madre. Mas não era só isso.

Bom, o que importa é que o ritmo alucinante da vida havia transpassado 2006 e entrado com tudo em 2007. A farra não havia acabado. Isso, também, porque meus planos de lecionar história haviam fracassado. Eu estava de saco cheio de tudo, queria lagar o emprego, vivia em bebedeiras e orgias homéricas; raramente estava sóbrio. Foi assim nas férias de janeiro, no carnaval, em março. Surgiu até um hóspede indesejado, mas fazer o que? Pra que servem os amigos afinal?

O previsível ocorreu: no dia 15 de abril, fui posto pra rua! Tive que arrumar todas as minhas tralhas em poucos dias e arranjar um lugar pra ir. Nenhuma alternativa decente me aparecia pela frente já havia dias. Finalmente, um nobre companheiro do partido me ofereceu um pouso até as coisas ficarem mais calmas. Três dias depois eu já arrumara um novo emprego e pedira licença do meu emprego público (do qual já estava de saco cheio mesmo).

As coisas pareciam ficar mais ordenadas nesse período de 2007. Estávamos quase na sua metade, eu morava com uma família respeitável. Tinha um emprego digno e que eu gostava, por toda a novidade que aquilo representava. Por hora, estava mantido longe de encrencas e de novas farras desestabilizantes. Por volta de 20 de junho, eu já estaria ocupando o meu terceiro endereço, tecnicamente falando. Um cubículo que tinha lugar em uma viela, em alguma ruela de Lagoa Nova. Até hoje, nunca me importei de tomar o nome daquela “rua”, só lembro que o número da minha cela era sete!

Desse endereço não guardo nenhum significado especial, exceto o fato de eu conhecer a K., gerente do melhor cachorro quente da cidade. Importante dizer isso aqui e agora, pois afinal de contas esse foi o único jantar digno que por semanas me alimentaram. Mas, aquela cela estava me deixando louco e a cada dia mais pobre. 40% dos meus proventos serviam ao aluguel.

Foi assim que decidi iniciar a terceira (ou quarta) fase do ano. Procurei meu companheiro M. de algumas aventuras e de muitas afinidades artísticas. Afinal, ele também estava morando sozinho em um cubículo. Passei um mês com ele nessa célula e depois partimos para uma casa.

Às vezes pode parecer que a minha história de dois mil e sete é a história dos meus endereços e de minhas andanças. Mas não foi só isso: foi uma época de muita reflexão, experiências musicais, sexuais, existenciais, alucinógenas e literárias. Foi o ano de por em prática aquilo que eu sempre via com muita atenção e excitação os outros fazerem e contarem. De certo modo, às vezes penso que ultrapassei alguns limites. A única coisa que tenho certeza é que esse foi o ano mais beat de todos. Quanto a isso, ainda é cedo para afirmar se foi um ano bom ou ruim. Porque 2007 continuará sendo sempre um capítulo inconcluso da minha vida.

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