Contributo ao Manifesto dos Barretes Vermelhos em Fúria
Diante da guilhotina um ser de olhar tácito e lúgubre espera para pagar tudo o que cometeu sobre a face da Terra. Não se sabe ao certo se o infame explorou centenas ou milhares de homens e mulheres no chão de uma fábrica ou nas profundezas de uma mina; nas caldeiras de uma usina ou nos corredores de um magazine. O que sim se sabe é que a hora do acerto de contas está próximo. O povo, o justiceiro e carrasco mais legítimo de toda história, não tem permissão de oferecer clemência ao verme vil. Não lhe é dado permissão de clemência justamente pela confiança que lhe foi dada pela memória dos milhões que tombaram com a violência cotidiana do labor.
O vôo justiceiro, jacobino e certeiro é implacável. Todas são nossas armas. A foice, a guitarra, a palavra, a idéia, o amor, a música, a cena, o drama, a discussão, a filosofia, a sinergia revolucionária e tudo lo más. Não conhecemos fronteiras nem limitações culturais. Somos supra-anti-etnocentristas. Ou seja, super-culturalistas. Tudo o que é humano nos interessa e, por isso, nos é válido. Somos intransigentes, mas o contrário dos vermes sectários. A estrada é o único caminho que nos parece digno. Rompemos com o gueto, o povo nos interessa. Não somos pacifistas. Queremos a guerra. Queremos a morte do Rei e da Corte. Ou isso, ou a nossa luta até o tombo do último barrete vermelho.
Hoje somos música, somos amor, somos luta, somos liberdade, somos poesia, somos beleza, somos eternos, somos aqui-agora-e-a-todo-instante.
Somos uma confraria de Barretes Vermelhos em Fúria. Queremos sangue.
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