No ritmo da vida... ou como é que eu vim parar aqui?
A minha relação com o movimento literário conhecido como beat é recente. E intensa. Eu me identifiquei de cara com aquele negócio de prosa expontânea (porque há uns 5 anos atrás eu comecei a suspeitar - coisa que até hoje não confirmei - que sofro de dislexia) e me viciei em Jack Kerouac. Seu estilo, suas histórias, aventuras e principalmente a sua maneira de descrever as sensações e as vibrações das pessoas e lugares. Eu confesso que até cheguei a pensar se viver naquele estilo, curtir tudo AQUILO não seria incompatível com o meu projeto revolucionário. Nossa, por que pensei isso??? Mas é claro que ninguém vai viver como Dean Moriarty ou como Mardou Fox. Me toquei que ser beat é transar um estilo literário libertário e, junto com outros amigos beat´s, nas horas de encontros e conversas tranqüilas praticar alguns ritos beatniks. As famosas beat reunions.
Esses dois últimos anos têm sido muito ricos pra mim. Como eu sempre tenho dito, as experiências que se acumulam a cada instante-dia-segundo trazem lições tremendas pra mim. O único problema é que custo a atender. Vou explicar melhor. O verão de 2006 foi o catalisador de uma experiência-militância política muito rica pra mim. Foram várias jornadas ao redor do país. Pus meu pé na estrada literalmente, rodando pelo menos 18.000 km de ônibus em duas viagens de Natal a Brasília de ida e volta, e outra do mesmo tipo para Porto Alegre. Essas viagens, a intervenção que mantivemos no movimento estudantil, as pessoas que eu conheci, os ativistas que ajudei a ganhar para o partido, as garotas que conheci, tudo isso veio como uma tsunami no verão de 2006. Comecei cortando a minha longa cabeleira pra tipo sair do casulo, isso seria simbólico e só! Nossa, vieram mais aventuras, desafios políticos e teóricos, paixões, trabalho pesado, farras. Você pode ter certeza que nessa altura do campeonato eu tava vivendo numa pilha... Mas que nada, na verdade eu tava seguindo o ritmo da vida. Pra completar, em julho de 2006, topei a parada de lecionar pela primeira vez. Que experiência! Eu tinha simplesmente 21 turmas e ministrava aulas de História, Sociologia, Filosofia, Cultura do Rio Grande do Norte e Atualidades para o vestibular. Agora você tem noção da minha puta responsabilidade??? Bom, eu mesmo devia ter lá no fundo alguma noção, e eu tentei ser justo e correto com todas elas (e não estou dizendo isso só porque algum aluno um dia pode vir a ler isso aqui - e sim porque afinal de contas lecionar pra mim é simplesmente do caralho!). Fui expulso de 2006 em uma velocidade alucinante, quase virei um alcoólatra, briguei demais com minha mãe... Talvez em determinados momentos eu tenha mesmo perdido as rédeas. Bom, e foi nesse pique que entrei em 2007 e vocês já sabem no que deu. Bom, creio que de uns tempos pra cá as coisas tenham ficado mais sob controle, finalmente eu saquei que não sou uma personagem de Jack e sim um cara que pode curtir tudo e numa boa e da maneira tradicional por que "afinal de que outra maneira, poderíamos curtir?". É ISSO!Hoje eu estou mesmo querendo refletir. Relaxar um pouco a cabeça. Sabe, isso é bom. Afinal de contas eu não sou nenhum paranóico pra ficar aqui só falando e me lamentando das dores que ando sentido na vida. É claro que eu não esqueço daquela garota, mas eu preciso seguir no ritmo da vida. "eu vou no ritmo da vida, eu vou no ritmo que a vida me levar... eu vou andando, eu sigo em frente a caminhar... chegando lá..." (No Ritmo da Vida - Wander Wildner).
E como bom beat, nada melhor do que escrever. Nada melhor do que pensar. Nada melhor do que viver. Nada melhor do que viajar (Buenos Aires, em julho, minha estréia como mochileiro, e esse blog irá transbordar). Nada melhor do que cantar. Nada melhor do que encontrar os amigos. Nada melhor do que surfar. Nada melhor do que rir à toa.
Até parace que eu ando assim tão feliz...
Um comentário:
Nossa essa daqui foi complicada ao meu ver... a metade do q vc escreveu eu não entendi , talvez como vc tem um relacionamento intimo e constante com o seu blog,ele tenha entendido vc na integra, mais eu simples mortal!, so percebi que vc e humano, e pinta seu mundo da cor que vc quer ver no momento, isso e bom para alguem como eu que observo tudo por uma janela de uma sala escura, vc sabe do que falo...rs, mais gosto ouvir suas palavras, elas susurram en meu ouvido, e me faz bem saber q estão aqui pertinho de mim .
Postar um comentário